QUEM SE APROPRIA DA RIQUEZA DO BRASIL
Prof.
Marcos Coimbra
Conselheiro Diretor do CEBRES,
Professor de
Economia e Autor do livro Brasil Soberano.
(Artigo publicado em 05.11.09 Monitor Mercantil).
O principal objetivo da ciência econômica
é maximizar a função de interesse social da Sociedade, ou seja, assegurar o Bem
Estar, tanto a nível coletivo, como individual, de todos seus integrantes.
Assim, a variável-meta de uma Política Econômica digna deveria ser o pleno
emprego dos fatores de produção, sendo que o único fator variável no curto prazo, em uma
análise macro, é justamente o trabalho. A atual administração federal, a
exemplo da anterior, escolheu a estabilidade monetária como meta principal a
ser atingida. Emprega como variáveis instrumentais as demais políticas, como a
fiscal, a cambial etc. Esta decisão faz a alegria dos rentistas,
banqueiros nacionais e internacionais, mas prejudica mortalmente os detentores
de renda fixa, como trabalhadores, aposentados, pensionistas e outros.
Para
satisfazer os interesses dos “donos do mundo” e seus asseclas no Brasil, a
administração federal utiliza medidas de extrema crueldade, como a elevada taxa
de juros, causa de um pagamento de cerca de R$ 160 bilhões ao ano, relativos à
dívida interna, com um volume em torno de 44% do PIB, bem como de bilhões de
dólares, também anuais, referentes à dívida externa, mais o pagamento de
bilhões de lucros e dividendos. O superávit primário mal deve ultrapassar 2 %
em 2009. Como o pagamento de juros equivale a cerca de 5 % do PIB, o superávit
primário transforma-se em um déficit nominal acima de 2 % do PIB, ao final.
As
conseqüências destas medidas são principalmente a concentração de renda, onde
cerca de 5.000 famílias possuem a propriedade de quase metade da riqueza
nacional, o desemprego e a baixa remuneração dos detentores do fator de
produção trabalho. A promessa do "espetáculo do crescimento" não será
concretizada enquanto este conjunto de medidas continuar a imperar. A convulsão
social já se faz presente no campo e nas cidades. As centenas de invasões,
inclusive a propriedades produtivas, efetuadas pelo MST e entidades similares,
a invasão de próprios públicos, de conjuntos habitacionais e até delegacias e
quartéis nas cidades, a caótica situação no Rio de Janeiro, onde o
administrador itinerante no exterior se esmera em desarmar os cidadãos
honestos, dignos, com armas legalizadas e é incapaz de vencer o crime
organizado, são alguns exemplos atuais.
Medidas
tomadas pelo poder público para minorar a dramática situação são insuficientes. O
bispo responsável pelas pastorais sociais da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB), dom Aldo Pagotto, chamou o Fome Zero
de "assistencialista". Disse mais: "Acostuma mal as pessoas". Censurou também
projetos como o Bolsa Escola e o Bolsa Família. Acrescentou: "Estamos
cansados de ver bolsa-isso, bolsa-aquilo",
tendo afirmado ainda que os programas de transferência de renda são políticas compensatórias, que, "em curto espaço de
tempo se demonstram inadequadas".
Argumenta
ainda que o combate à pobreza seria muito mais eficaz
se fossem intensificados os programas de qualificação da mão-de-obra e de
microcrédito. Segundo dom Aldo, em Sobral (CE), sede da sua diocese, muitos
agricultores não se preocupam muito com a possibilidade de perder
a colheita por razões climáticas devido à garantia proporcionada pela
distribuição de cestas básicas, uma das ações do Fome Zero. "Se plantar e
não der, tudo bem, nos dão comida", dizem estes
agricultores. Afirmou ainda não querer "nem a indústria da invasão e muito
menos pessoas que ideologizem a reforma agrária". Ressaltou que está
respaldado pelo papa João Paulo II, pois, em 2002, o pontífice disse a bispos
brasileiros, em Roma que: "a ocupação de terra não pode se tornar um
método na reforma agrária". Mas o Bolsa Família é o principal eleitor das
eleições no Brasil.
As
eleições de 2010 significam um problema e não uma solução. Os três candidatos
lançados até agora (Dilma, Serra e Marina) são ligados direta ou indiretamente
aos “donos do mundo”. Os outros ventilados (Ciro e Aécio) também. Lula pretende
de fato continuar a mandar no Brasil através de um preposto para retornar de
direito em 2014, ficando até 2022, ano de comemoração do bicentenário da
independência do país. Este é o planejado pelo antigo Núcleo de Assuntos
Estratégicos da Presidência da República. Isto se não conseguir “na marra” o
direito a um terceiro mandato consecutivo, devido à ausência de uma real
oposição e ao enfraquecimento deliberado de todas as Instituições Nacionais. E
ainda mais com as “urnas eletrônicas”. É a maldição bolivariana do “presidente
perpétuo”.
Todos
os candidatos anunciados objetivam empregar vastos recursos materiais extraídos
da classe mais rica (banqueiros, empreiteiros, concessionárias etc.), os quais
são os principais financiadores das campanhas eleitorais, para obter os votos
da classe mais pobre, maioria dos eleitores, capaz de eleger um “poste”. Depois
virá a contrapartida. Com os grandes projetos previstos (PAC mesmo parcial,
pré-sal, Copa do Mundo, Olimpíadas, compra de material bélico etc.) não
faltarão concorrências milionárias, possibilitando comissões vultosas para os
segmentos participantes. Assim, grandes fortunas serão consolidadas ou criadas.
No mercado internacional, uma comissão correspondente à aquisição de material
bélico varia de 3 a 10% do valor total. À classe média restará pagar a conta e
continuar sua inclemente descida para os patamares inferiores do estrato
social, devido à sua anomia.
Seja
quem for o vencedor, o Brasil continuará a ser entregue aos alienígenas, com
suas vastas riquezas sendo apropriadas pelos detentores do capital
transnacional. Não haverá confronto entre nacionalistas e entreguistas, pois
nos últimos quatorze anos, nos dois últimos períodos presidenciais, ambos os
governantes nada fizeram, de fato, para impedir o saque ao patrimônio nacional.
A única esperança é o surgimento de um novo candidato, lançado por um partido
com tempo de televisão, possuidor de estrutura partidária nacional, com pelo
menos cem milhões de dólares disponíveis para a campanha presidencial, hipótese
tendendo a zero. Ele deveria multiplicar o atual modelo econômico por menos um,
elaborar projetos nacionais de desenvolvimento e segurança, de acordo com as
necessidades nacionais e implementá-los com
especialistas competentes e eficazes.
Precisaria
ainda fortalecer as Instituições Nacionais, combater a corrupção, investir
maciçamente na infra-estrutura econômico social, transferir a prioridade de
atendimento à atividade produtiva no lugar da especulativa, enfim, transformar
o Brasil em um país digno e próspero, como no passado. É um sonho!
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