PERSPECTIVAS NADA ANIMADORAS

Prof. Marcos Coimbra

Membro efetivo do Conselho Diretor do CEBRES, Professor aposentado de Economia na UERJ e Conselheiro da ESG.

Artigo publicado em 24/07/08  no Monitor Mercantil.

 

Apesar de estar assentado num solo rico, num subsolo mais pródigo ainda, com vastos recursos naturais, com um território que é um continente, um povo honesto, trabalhador, sério e patriótico, o Brasil ainda não é desenvolvido. Isto porque o país não possui uma classe política a sua altura. No século passado, na década de 70, chegamos a crescer a 14% ao ano. O Setor Público era poupador positivo e investia vultosos recursos em infra-estrutura econômica. Estava sendo construída a base de uma potência econômica, com amplas possibilidades de crescer a ponto de ombrear-se com as nações mais prósperas do mundo. Havia emprego, os direitos trabalhistas eram respeitados e os cidadãos sobreviviam dignamente, a custa de seu trabalho. A assistência médica pública atendia ao necessário. A segurança estava garantida. Os marginais respeitavam a polícia. A previdência pública operava satisfatoriamente. A educação pública era de boa qualidade. As Forças Armadas eram prestigiadas e funcionavam como poder moderador.

         Os mais jovens podem pensar que estamos falando sobre outro país. Não. É sobre o Brasil. Acontece que nos últimos anos, principalmente desde 1994, o cenário modificou-se radicalmente. Desde Collor foi iniciada a derrocada. Com a abertura indiscriminada às importações, a demarcação de terras indígenas em regiões de fronteira por imposição de grupos e governos estrangeiros, contrariando a Constituição, a aprovação da Lei de Marcas e Patentes com efeito retroativo e a submissão aos “donos do mundo”, representados pelos interesses de cerca de treze famílias que comandam o mundo, o país foi colocado de joelhos.

         Agravou-se com a estabilidade monetária fixada como variável-meta da administração FHC, por imposição externa. Como conseqüência natural, a privatização selvagem, com a venda por tostões das jóias da coroa, como por exemplo a Vale, que valem bilhões ou até trilhões de dólares, como o caso do subsolo de nossa Amazônia. Todas as empresas estatais foram sendo "doadas", com recursos até do BNDES, a empresas estrangeiras, algumas até estatais. Todos os setores estratégicos vão sendo entregues aos estrangeiros. Até o financeiro. A seguir, a interrupção de investimentos públicos para permitir superávits fiscais primários, o que, progressivamente vai provocando o colapso dos serviços públicos essenciais, como a educação, a saúde, a segurança e até a previdência. Todos os direitos duramente adquiridos, ao longo de gerações, vão sendo inapelavelmente extirpados. Tudo para pagar juros aos banqueiros nacionais e internacionais. Os jovens que estão ingressando no mercado de trabalho dificilmente conseguirão obter a aposentadoria no futuro. Primeiro, pois não há emprego. Depois, devido às regras draconianas impostas por exigências externas. Não é coincidência.

As Forças Armadas são imobilizadas pela mídia amestrada que as coloca em permanente defensiva, explorando os mais sórdidos assuntos do passado, e pelo desprezo imposto a elas, caracterizado pelo insuficiente aporte de recursos para seu adestramento e aprestamento. A imprensa é dominada por seis grandes grupos que fabricam a chamada opinião publicada, fazendo-a passar por opinião pública. Heróis são transformados em vilões e vice-versa. O país passa a ser o maior exportador do mundo de prostitutas.

A administração Lula, incapaz de resolver os grandes problemas nacionais, especializa-se em realizar manobras diversionistas, provocando fissuras graves na coesão social de nosso povo, com a conseqüente ameaça à Paz Social. Estão fabricando problemas inexistentes no Brasil, jogando brancos contra negros e índios, homossexuais contra heterossexuais, católicos contra evangélicos e espíritas etc. Sobrevive com elevada popularidade, segundo pesquisas não isentas de institutos pagos por entidades ligadas à atual administração, graças a manobras clientelistas e eleitoreiras como o bolsa família, o ProUni e outros. Favorece aos mais ricos e agrada aos mais pobres.

         É muito difícil conseguir reverter a situação via eleitoral, pois o sistema, imposto pelos “donos do mundo”,  nunca esteve tão poderoso. Possui o domínio quase completo dos recursos de financiamento de campanhas eleitorais, além do controle dos centros de irradiação de prestígio cultural (imprensa, universidades, cinema, teatro etc.). Contam com a ambição de alguns partidos que, aparentemente, são de oposição. Todos querem fazer o novo presidente. É óbvio que somente terão chance, caso haja união das verdadeiras forças de oposição. Os nomes apontados não são inspiradores de esperanças. Pelo PT, Dilma, Tarso, Patrus, isto se Lula não emplacar o terceiro mandato. Ciro, Aécio, Serra representam o mesmo do mesmo. Não representam uma oposição verdadeira. O PSDB é a outra face do PT.

De oposição mesmo, só o PSOL/PSTU/PCB/PSB por um lado e o DEM pelo outro. Porém, nenhum deles com real possibilidade de apresentar um nome capaz de empolgar o eleitor, com a cobertura suficiente de uma estrutura partidária sólida, com bom tempo de propaganda eleitoral gratuita e recursos humanos e materiais suficientes.

A esperança é a de que um novo nome surja, talvez fora dos quadros tradicionais, desde que capaz de aglutinar as forças do partido de Tiradentes, contrárias aos seguidores de Joaquim Silvério dos Reis.

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