O POVO BRASILEIRO E SUAS NECESSIDADES
Artigo
publicado em 01.05.2009 no Vila em Foco.
Prof. Marcos
Coimbra
Conselheiro
Diretor do CEBRES, Professor de Economia e autor do livro Brasil Soberano.
Uma das principais preocupações do povo brasileiro, no momento, reside
justamente no justo atendimento das necessidades coletivas, altamente
dependentes de maiores investimentos na infra-estrutura econômico-social. E
julgam, erradamente, que a responsabilidade pela culpa é dos economistas.
Muitas pessoas bem intencionadas equivocam-se em imaginar que a Economia é uma
ciência fria, desumana, interessada em perpetuar, ou até mesmo agravar, as
condições existentes de desigualdade, seja a nível
pessoal, regional ou setorial. Isto é explicado, em parte, pela maciça
divulgação pelos meios de comunicação de massa dos postulados do "globoritarismo" (totalitarismo da globalização), ou
seja, do neoliberalismo, os quais conspurcam os reais princípios da Economia.
Sua própria conceituação caracteriza-a como ciência social, cujo grande
objetivo é a maximização da função de interesse coletivo da comunidade,
aproximando-se assim do conceito do bem comum, ideal de convivência capaz de no
mesmo tempo em que assegure a busca do bem-estar, construa uma sociedade onde
todos tenham condições de plena realização de suas potencialidades e do
exercício constante de valores morais, éticos e espirituais.
Desta forma, o principal objetivo de um sistema econômico deve ser o de
garantir o pleno emprego dos fatores de produção, ou seja, proporcionar
trabalho a toda a população economicamente ativa (PEA), acima de 90 milhões de
pessoas, atualmente, no Brasil, com plena utilização própria
dos nossos vastos recursos naturais, ou em associação com empresas
estrangeiras, desde que assegurado o controle acionário por parte de
residentes. E, no Brasil, tudo isto é perfeitamente factível. Como? Basta
diminuir a sonegação, principalmente de grandes empresas, o que provocará
recursos adicionais da ordem de cerca de bilhões de reais a serem investidos na
infra-estrutura econômica e social, retornando assim a formação bruta de
capital fixo a 25% do PIB.
Garantidos os recursos, vamos verificar o que pode ser feito na área social, em
especial. Inicialmente, a garantia de que o país, voltando a crescer 7% ou 8%
ao ano, aumente a produção, a oferta agregada, gerando mais empregos, seja no
setor terciário, o qual no terceiro milênio será o grande absorvedor de
mão-de-obra, seja no estímulo às atividades do "agronegócio”, acoplando o
setor secundário ao setor primário. Desta forma, aumentando a oferta de
trabalho, havendo mais equilíbrio entre oferta e demanda de emprego, melhora a
qualidade dos postos de trabalho, os salários serão maiores, proporcionando o
crescimento do mercado interno, provocando maior incremento da
produção interna, tradicional absorvedora de mão-de-obra, sem concessão
de “esmolas” paliativas.
Mas, para que tudo isto ocorra, é vital realizar investimentos vultosos na
energia, transportes, comunicações, saúde, saneamento básico, segurança,
ciência e tecnologia e, em especial, na educação, melhorando a qualidade dos
recursos humanos. E o segredo do desenvolvimento está justamente na garantia de
uma sólida educação básica, realmente formadora, capaz de propiciar a
profissionalização daqueles que desejarem e, em paralelo, um ensino superior
voltado para a pesquisa, em consonância com os anseios da comunidade, pois hoje
mais do que nunca o mais importante é o capital humano. O elevador de ascensão
social deve ser o mérito e não a cor da pele.
Somente uma população verdadeiramente habilitada é
capaz de libertar-se da opressão dos mais ricos e assegurar o pleno
desenvolvimento do Brasil. A receita é justamente a contrária à empregada pela
atual administração Lula, ou seja, sacrificar o social, a fim de continuar
pagando R$ 160 bilhões de juros da dívida interna e cobrir cerca de 36 bilhões
de dólares de déficit do balanço de serviços, oriundo principalmente de gastos
com juros, lucros, dividendos, "royalties", fretes, turismo e outros,
com recursos do saldo de nossa balança comercial, proveniente principalmente da
exportação de bens primários, de baixo valor agregado. E revelam-se
insuficientes, pois no ano em curso teremos déficit no balanço de pagamentos em
transações correntes.
O povo brasileiro exige de todos os partidos políticos e dos principais
postulantes a cargos eletivos, em especial dos candidatos à presidência da
República em 2010, a apresentação de um Plano Nacional de Desenvolvimento,
contendo políticas e estratégias correlatas, vinculadas aosorçamentos,
em termos de prazos, recursos e fontes, em conformidade com os interesses,
anseios e aspirações nacionais. Afinal, a razão de ser de um Sistema Econômico
consiste fundamentalmente em proporcionar o máximo de satisfação ao ser humano,
com a progressiva eliminação da miséria, da pobreza, da fome, da exclusão
social.
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