INCOMPETÊNCIA EXPLÍCITA
Prof.
Marcos Coimbra
Conselheiro
Diretor do CEBRES, Professor de Economia e Autor do livro Brasil Soberano.
Artigo publicado
em 12.11.2009 - Monitor Mercantil.
Na administração FHC ficou famoso o
“apagão” memorável , causador de tantos infortúnios e até
hoje citado como exemplo cabal da incompetência administrativa do “príncipe da
Sociologia”. Concordamos com o diagnóstico. Agora, na semana passada,
surge o “apagão” ou blecaute do Lula. A causa do desastre teria sido na
transmissão de energia, em função de razões da natureza, não na geração. Raio,
ventos, tempestade, apesar do desmentido do INPE (Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais). Agora, surge a desculpa do curto-circuito. Ora, seja qual for a verdadeira razão, que
infelizmente acreditamos nunca será divulgada, demonstra à saciedade também a
incompetência da administração lulista. A falta de um
planejamento alternativo é indesculpável.
Imaginemos que, de fato, o problema
tenha sido na transmissão. Mas qual foi a razão? Não é
admissível que no século XXI, em um país como o Brasil, sem grandes problemas
com a natureza, a desculpa seja justamente a de acidentes climáticos. Ora,
felizmente o Brasil, nesta área, foi abençoado por Deus. Não temos furacões,
terremotos, vulcões, maremotos, tsunamis, nevascas e outras catástrofes do
gênero. Imagine o leitor se ocorressem no país 10% do ocorrido nos EUA, no
Japão e em outras regiões do mundo.
Em setembro do ano corrente a
pré-candidata do PT e ex-ministra de Minas e Energia Dilma Roussef afirmou que não
ocorreriam mais “apagões” no país. A exemplo do
episódio com a ex-secretária da Receita Federal parece que a ministra não é
muito compromissada com a verdade. As autoridades da atual administração
partiram para justificar o episódio como sendo consequência
da ação da natureza. Tempestades, raios etc. O ministro da (in)Justiça minimiza o problema, dizendo que é um “microincidente”. Não é não. Os especialistas afirmam que é
um macroproblema. Se isto fosse justificativa, então
as nações que padecem de acidentes naturais de porte viveriam em um caos
permanente, o que não é verdadeiro. Lá existem administradores capazes, que
planejam e implementam seus projetos com eficiência e
eficácia, prevendo situações muito mais adversas.
Vivemos um momento altamente favorável,
sem estiagem. Temos os reservatórios cheios. A demanda somente agora volta a
ser aquecida. Não há justificativa definitiva para tragédias desta ordem.
Pessoas morreram. Muitas ficaram feridas. Milhões sofreram as conseqüências.
Analisemos a vôo de pássaro as seqüelas do “apagão”. Falta d’água nas
principais cidades do país. Hospitais sendo obrigados a recorrer a geradores de empresas de televisão para evitar a morte de
crianças, pois não havia geradores próprios. Marginais aproveitando-se da
situação para assaltos em vários pontos das cidades, a exemplo do ocorrido, mas
não divulgado em vários bairros do Rio de Janeiro, onde só foram anunciados
ataques na Tijuca, quando aconteceram no Flamengo, Largo do Machado, Vila
Isabel e outros.
Imaginem como os membros do COI (Comitê
Olímpico Internacional) devem estar se sentindo. Como pensar em realizar as
Olimpíadas em 2016 desta maneira? E até mesmo a Copa do Mundo em 2014. Os
“gringos” foram docemente iludidos (e persuadidos de várias maneiras) pela propaganda
(as nossas autoridades são ótimas neste mister) de um
Brasil e de um Rio de Janeiro somente existentes em sonho. De fato, é o país e
o estado em que seria ideal viver. Mas não existe. É semelhante a publicidade feita pela administração estadual da Bahia,
que motivou uma campanha pela Internet sobre como morar neste Estado
imaginário.
Por esta razão, principalmente,
classificamos de administração e não governo o exercício do poder pelos
diversos detentores do poder político nos entes federados. Governar é possuir
um planejamento previamente bem elaborado, por especialistas competentes,
auscultadas as carências da clientela alvo. Deve ser cuidadosamente implementado com a oitiva de todos aqueles atingidos pela
ação. É possuir compromisso com a seriedade, a honestidade e o Bem Comum.
Trabalhar duramente todos os dias com sua equipe. Assumir a responsabilidade
dos erros, não só dos acertos. Ter compromisso com o povo. Dizer a verdade e
não iludir os eleitores irresponsavelmente. Enfim, tudo aquilo que não fazem.
Pensam que governar é apenas usufruir
as benesses do poder político. Viajar pelo mundo afora com o pretexto de tratar
de assuntos de Estado. Beber e comer muito, em especial as bebidas nacionais de
vários países, a exemplo da França. Gastar o tempo contando dinheiro,
beneficiando empreiteiros, banqueiros e empresários amigos e delegando a tarefa
árdua para os subordinados. Nomear apaniguados e
parentes para cargos de importância e garantir a permanência sua e dos seus
correligionários no poder.
Por que insistem em permanecer na
administração? Afinal, já estão ricos. Já garantiram o patrimônio familiar por
várias gerações. Poderiam deixar o lugar para outros mais bem intencionados e
gozar das fortunas acumuladas, de preferência bem longe do Brasil.
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