DESTRUIÇÃO DO PAÍS

Prof. Marcos Coimbra

Professor Titular de Economia na Universidade Candido Mendes, Professor na UERJ e Conselheiro da ESG

Artigo publicado em 01.02.2008 no Vila em Foco

                   Nação, segundo a Doutrina da Escola Superior de Guerra, "é o grupo complexo, constituído por grupos sociais distintos que, ocupando uma mesma base física, compartilham da mesma evolução histórico-cultural e dos mesmos valores". Continuando: "A íntima ligação entre Homem e Terra cria vínculos afetivos que fazem, desses elementos essenciais, a razão do sentimento de Pátria, imprescindível para o despertar da força criadora do civismo e do orgulho nacional". Ainda, "os elementos básicos da nacionalidade são três: Homem, Terra e Instituições, que constituem a tríade dos fundamentos do Poder Nacional, o qual deve ser utilizado como instrumento a fim de que possam ser alcançados os Objetivos Nacionais Permanentes: Democracia, Integração Nacional, Integridade do Patrimônio Nacional, Paz Social, Progresso e Soberania".

                   Uma análise imparcial da conjuntura nacional mostra um quadro calamitoso, tanto a nível quantitativo, como qualitativo, nas cinco expressões do Poder Nacional. O desemprego atinge cerca de 7 % da população economicamente ativa, segundo o IBGE, e cerca de 20 %, segundo o DIEESE, projetando um número superior a 12 milhões de desempregados ou subempregados, em nível crítico. Segundo o IMD (International Institute for Management Development), o país caiu para a posição de 35° mais competitivo do mundo. A taxa real de juros volta a ser uma das  maiores do mundo, para alegria dos banqueiros. O COPOM mantém em 18,5 % a taxa SELIC e o Brasil pagou em torno de R$ 90 bilhões de juros da dívida interna e US$ 12 bilhões da dívida externa em 2001. A taxa de juros cobrada pelos bancos volta a subir (média de 160 % ao ano de juros).

 O rendimento médio das pessoas ocupadas (média dos salários pagos no país) continua a cair a cada mês. Houve uma queda na renda de 0,98 % em relação a março de 2001, de 0,95 % em relação ao 1° trimestre de 2001 e diminuição de pessoal empregado em 1,05 %. Das pessoas ocupadas, segundo o Censo do IBGE, apenas 55 % possuem carteira assinada. O país também é o campeão mundial na má distribuição de renda salarial, além da posição de vanguarda na concentração de renda. E a mídia amestrada é conivente com tudo isto, não revelando a verdade dos fatos. Se cumprisse seu dever, informando 50% da realidade, como fez no caso Roseana, no Maranhão, esta atual administração já teria caído. Por muito menos, o ex-presidente Collor foi condenado.

                   Na administração central, o ministro da Fazenda foi funcionário do Banco Mundial, o ministro Chefe da Casa Civil, funcionário do FMI, o presidente do Banco Central, ex-empregado do megaespeculador George Soros. Quem não foi, é ou será empregado de uma empresa pertencente ao sistema financeiro internacional. Somente quem é ingênuo não percebe que estão sendo rigorosamente cumpridas as diretrizes do Diálogo Interamericano e do Consenso de Washington, no sentido de manter taxas de inflação oficialmente baixas, a custo da recessão do país, da desnacionalização da economia, da privatização das empresas e setores estratégicos do Brasil, “doadas” por valores irrisórios a grupos alienígenas predadores. No momento, no fiel cumprimento das ordens recebidas, a administração FHC pretende entregar o que sobra da energia, a água e até a Amazônia.

                   A corrupção campeia em todo o país, do guarda da esquina aos mais altos escalões. Todos sabem de tudo, mas nada é apurado e ninguém é punido. A nefasta reeleição, verdadeiro "golpe branco" imposto por FHC ao Brasil, prossegue com suas nefastas conseqüências, com relação aos governadores de Estado e, proximamente, nas prefeituras, novamente. São escândalos sucessivos, infinitos. Imaginem aquilo que um político não é capaz de fazer para manter-se no cargo por mais quatro anos. Volta a ser divulgado amplamente pela imprensa a “negociata” da privatização das telecomunicações no Brasil, bem como as fraudulentas condições de entrega da Vale do Rio Doce, objeto de manipulação da “concorrência” montada para enganar a população, na verdade manipulada por intermediários dos “donos do mundo”, com a inacreditável manipulação dos fundos de previdência, em especial da PREVI.

Ao final da administração FHC, o que restará do país? O Poder Nacional estiola-se a cada instante. Os Objetivos Nacionais Permanentes estão cada vez mais distantes. Vivemos numa ditadura branca, em estagnação, com convulsões sociais, uma guerra civil não declarada, sob risco de perda até de território, dependentes cada vez mais do exterior, ameaçados de desintegração, devido ao aumento das desigualdades. Para distrair a atenção da população, a administração FHC importa teses alienígenas, propondo a união civil de homossexuais e cota de 20 % das vagas existentes nos órgãos da União para preenchimento por descendentes da raça negra. Não compreende ou finge não entender que esta medida é maléfica, pois acabará criando animosidades raciais, onde não existem.  Este é o legado da social-democracia de FHC, que passará à história como o presidente mais entreguista da vida política brasileira.

                   E até quando os brasileiros vão suportar isto? Afinal, todos os limites do bom senso foram ultrapassados. Nas grandes cidades, os narcotraficantes criam áreas liberadas, onde o poder público não consegue entrar. No interior, o MST invade regiões produtivas, colocando como letra morta a propriedade privada, afrontando o Judiciário, com o beneplácito de autoridades lenientes. Pela Constituição Federal em vigor, as Forças Armadas já deveriam ter sido acionadas por quem de direito. É melhor intervir agora, enquanto ainda há solução, do que depois, quando será tarde demais e o Brasil correrá o risco de entrar em um conflito interno, de graves proporções, com derramamento de sangue.

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