A AMAZÔNIA É BRASILEIRA

Artigo publicado em 20.06.2002 no Monitor Mercantil.

Prof. Marcos Coimbra

Professor Titular de Economia junto à Universidade Candido Mendes, Professor na UERJ e Conselheiro da ESG.

         Não compreendemos como um cidadão brasileiro conhece, às vezes, vários lugares do país e até mesmo  outros países, sem antes conhecer a Amazônia. Recomendamos sempre aos nossos conhecidos que, quando resolverem viajar, iniciem suas incursões pela Amazônia, antes de dirigir-se a qualquer lugar do Brasil ou do exterior. Isto porque é vital para os brasileiros conhecer pessoalmente àquela rica região, descobrir suas potencialidades, avaliar suas riquezas, enfim admirá-la,  para poder perceber o quanto é importante defendê-la, lutando para que continue a ser nossa. Estivemos, mais uma vez, percorrendo a região para atualizar nossa visão da mesma. Como sempre, constatamos pontos positivos e negativos.

         Dos aspectos favoráveis, não há como ignorar o crescimento da atividade econômica, em especial a turística, consubstanciada pela implantação de diversos hotéis no interior da selva, como o Ariaú, perto de Manaus, pelo aumento progressivo da população localizada na Zona Franca de Manaus, pelo crescente compromisso das Forças Armadas na defesa da Amazônia.

 Como aspectos negativos: a continuação da evasão de riquezas subtraídas da região, seja sob a forma de contrabando e/ou descaminho transportado em centenas de aviões praticando vôos irregulares, seja sob a forma de pirataria dos recursos biogenéticos da área, remetidos por diversos representantes de Ongs e missões estrangeiras no país, agindo sem qualquer controle; a implementação do SIVAM, capaz de permitir o controle do tráfego aéreo, porém ao custo do pagamento de cerca de um bilhão e meio de dólares, sem que a FAB possa agir na repressão às irregularidades existentes, em função de orientação externa, sem haver a necessária proteção das informações obtidas; a crescente demarcação de reservas indígenas, conduzida por agentes estrangeiros, com a criação de “enclaves territoriais”, passíveis de serem, no futuro, separadas do país, constituindo embriões de nações independentes do Brasil, por coincidência em cima das principais riquezas minerais da região; pela ocupação da natureza por populações humildes, sem a necessária educação e conscientização dos danos ao meio ambiente; pela não conclusão da implantação do projeto Calha Norte, fruto do corte de verbas orçamentárias destinadas às Forças Armadas; pelo preocupante aumento da penetração estrangeira nos meios de comunicação, em especial nas TVs e outras.

         Persiste a necessidade urgente do cumprimento do lema: “integrar pra não entregar”. A perda da Amazônia não será concretizada por uma ocupação militar tradicional, pois não existe país no mundo, nem a potência hegemônica, com força capaz de ocupar a vasta área, em grande parte ainda virgem. Porém, está sendo realizada sub-repticiamente, como é do costume dos modernos povos colonizadores, via domínio perpetrado através do crescente domínio das expressões psicossocial, econômica, científico-tecnológica e até mesma política. É importante conhecer a realidade da região, como a situação do principal estado da região, o Amazonas, o qual possui apenas três milhões de habitantes, dos quais a metade está concentrada na capital, fato também encontrado nos demais  estados componentes da Amazônia.

         Toda a rica região, cobiçada há centenas de anos por outras nações, é constituída de vazios demográficos. Muita terra, muitos rios, muita riqueza, a maior parte inteiramente abandonada. Vastidões de territórios sem ocupação. Ao começarmos a adentrar seus mistérios, ficamos maravilhados com a grandiloqüência da natureza. Mesmo próximos dos centros populacionais, verificamos a dificuldade de sobrevivência para quem é estranho à região. Até o deslocamento na mata é extremamente difícil. A quantidade e qualidade de obstáculos são consideráveis. Daí chegarmos à conclusão de que é extremamente improvável a sua ocupação por forças estrangeiras. Somente o natural da área, indígena ou caboclo, consegue sobreviver com tranqüilidade na região. Por isto eles são os melhores soldados da selva. Lá não há lugar para “Rambos”.

 E não interessa aos países imperialistas a destruição da região, através do seu bombardeio sistemático, como é feito no Iraque, pois estariam destruindo recursos naturais preciosos, em especial a água, elementos cada vez mais raros no terceiro milênio. A potência hegemônica possui uma força de ocupação pouco superior a 600.000 homens, mais 200.000 de apoio. Não possuem condições para ocupar e dominar a Amazônia. Por isto continuam a agir por intermédio de agentes diretos e indiretos, subtraindo as riquezas em surdina. Cabe a nós, brasileiros, impedir que este saque continue. Daí a importância de impedirmos a entrega da Base de Alcântara aos norte-americanos. Mesmo desconsiderando todos os graves inconvenientes apresentados por militares e parlamentares patriotas, não há porque ceder a Base. Afinal, os norte-americanos têm várias hipóteses de guerra, prevendo até o emprego de artefatos nucleares. Depois que se instalarem, a região passará a ser alvo preferencial dos seus inimigos e dificilmente eles sairão de lá. Tudo isto em troca de alguns poucos milhões de dólares, por lançamento, enquanto bilhões de dólares são remetidos todos os anos ao exterior, sob a forma de juros, lucros e dividendos.

         Urge haver vontade política para a implementação de medidas concretas de ocupação planejada, contínua e eficaz da rica região, inclusive com adoção de providencias emergenciais, enquanto é tempo. Acreditamos que o país capaz de explorar racionalmente a região, sem concessões aos delírios dos ecologistas fanáticos, defensores da sua intocabilidade, nem às ações predatórias de capitalistas selvagens, será a potência do terceiro milênio.

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